As políticas públicas do livro e da leitura devem formar parte integral das políticas do Estado e ser inseridas numa aceção mais alargada a que se poderá dar o nome de litaracias.
Essas políticas, para além de se basearem em leis e normas jurídicas, devem ser suportadas por mecanismos de financiamento e por estruturas organizacionais que permitam articular os distintos níveis do poder do Estado. Esta articulação, iniciada no cruzamento das diferentes missões de vários organismos do poder central que contribuam para o mesmo fim, e estendida depois ao poder local, deverá posteriormente receber os contributos das estruturas da sociedade civil. Só assim se poderão conceber literacias de ordem vária que permitam a educação e a formação ao longo da vida dos cidadãos, facultando ao mesmo tempo a inclusão social e o desenvolvimento de uma cidadania plena.
Segundo a OCDE, falamos de literacias quando falamos da aptidão de compreender e utilizar a informação de modo seletivo e crítico. Ao comprometer-se com o desenvolvimento e aumento dos índices das várias literacias, o Estado mais não faz do que reconhecer aos seus cidadãos a participação, a equidade e a inclusão, oferecendo-lhes diversidade cultural e criatividade ao longo da vida. Este cidadão pleno terá, assim, direito a adquirir e exercer uma cidadania plena, e a usufruir e participar numa ambiência democrática. Incorporados e cultivados estes comportamentos, poderá então o conjunto dos cidadãos contribuir para o desenvolvimento social, económico, científico e tecnológico do país, recebendo em troca a melhoria de vida que todos desejam.
II – Políticas
Ao falar-se de literacia como uma capacidade que está ao alcance de todos os seres humanos, deveria falar-se de uma política de proteção e promoção
da diversidade de expressões culturais. Aqui, as políticas culturais envolveriam artistas, criadores, profissionais e outros agentes, independentemente da especificidade da sua vertente criadora. Para os cidadãos em geral, falar de diversidade cultural só traria benefícios, já que poderiam desfrutar de uma gama alargada de bens e serviços.
E é aqui que a cultura se cruza com os modelos económicos. A informação, a tecnologia e a aprendizagem são centrais para o crescimento da economia e para a prosperidade da sociedade atual. O modelo económico industrial, baseado nos serviços, está a mudar para um novo tipo de economia em que o conhecimento e a criatividade levam ao conhecimento produtivo e económico.
Neste contexto de mudança social, a que se juntam os desafios da cultura digital, como devem agir os organismos públicos? Esta questão constitui o eixo central de um trabalho publicado pelo Instituto ASPEN, financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates. São ali destacados três eixos importantes que devem orientar os organismos públicos, sejam eles estruturas centrais voltadas para os leitores e consumidores de cultura, bibliotecas públicas ou escolas. O trabalho destas organizações pode ser sintetizado no seguinte: conectar as pessoas e fortalecer as relações e o capital humano das comunidades; utilizar os espaços físicos e virtuais de bibliotecas (aqui poderiam ser museus, monumentos ou outros espaços de fruição cultural) de forma inovadora, e recorrer a plataformas interativas para selecionar e partilhar ideias e conhecimento.
III – Livro
Ao falarmos de literacias, poder-se-ia referir a literacia emergente, a literacia crítica, a literacia visual, a literacia em leitura e em escrita, a literacia digital, a literacia científica, a literacia literária e a literacia matemática (ou numeracia).
No entanto, é a literacia em leitura e escrita aquela que mais interesse tem tido nas políticas internacionais, designadamente junto da OCDE, já que é ela a base do domínio do conhecimento.
É por isso que as políticas do Livro e da Leitura são essenciais para o desenvolvimento de uma literacia plena, compreendida aqui como a aptidão para apreender e compreender a informação escrita na vida corrente, com vista à conquista dos objetivos pessoais, que passam pelo alargamento dos conhecimentos e das capacidades de cada um.
O Livro, esse grande motor de desenvolvimento, é a base da literacia. Se o livro no seu suporte comum não mudou nos últimos 500 anos, já as técnicas do seu fabrico, as estratégias da sua comercialização mudaram muito. E a leitura foi acompanhando esse movimento de suportes, essa passagem para o digital. Editor, tipografia, distribuidor, livraria e biblioteca são modelos que mudaram também, criando uma rede de intervenientes poderosos chamados a participar nessa globalização que o livro pressupõe. Dois elementos da cadeia permanecem, independentemente dos suportes e ferramentas: autor e leitor. Entre eles, a figura do mediador ganhou corpo e afirma a sua importância e necessidade: levar o livro ao leitor, a criação à leitura, transformando alfabetização em literacia.
A figura do Mediador:
A partir do século XVIII, quando se entendeu que a educação era necessária, reivindicando-se para todas as crianças do mundo a igualdade de oportunidades, verificou-se que esse objetivo – ainda hoje não atingido – tinha na sua base a figura do Mediador capacitado e com recursos suficientes para intervir com eficácia.
Na criação de hábitos de leitura, sobretudo na infância e na adolescência, é muito importante a figura do mediador, que age como intermediário entre o livro e o leitor. É ele que “recebe” a informação leitora e facilita ideias e caminhos para concretizar as leituras junto do público-alvo.
O problema principal é justamente a formação dos futuros mediadores: professores e bibliotecários serão talvez os mais importantes, aqueles que de mais perto lidam com os futuros leitores. No que se refere aos bibliotecários, a sua formação académica na área da catalogação, indexação, documentação ou organização da biblioteca, deixa de fora uma intervenção no processo da leitura, na análise de textos ou na seleção de um cânone de leituras para crianças e jovens.
O mediador de leitura deve ser formado ao longo de um processo demorado, organizado e coerente, reunindo conhecimentos gerais e específicos, competências profissionais, espírito crítico, capacidade de comunicação, criatividade, etc.
Estas poderiam ser algumas regras para definir um mediador:
- ser um leitor habitual, convencido do valor e virtude da leitura;
- conhecer o grupo para conseguir promover a sua participação;
- uma certa dose de imaginação e criatividade;
- possuir uma formação literária mínima;
- saber criar um projeto de leitura;
- conhecer a teoria e a prática de técnicas e estratégias de animação à leitura.
O mediador será, assim, alguém que fomentará as primeiras tendências de leitura junto dos potenciais leitores, consolidando-as com as estratégias mais adequadas em cada momento.
O Estado deve assumir a competência de capacitar os mediadores de leitura, formando-os adequadamente e proporcionando-lhes os meios necessários para cumprir dignamente a sua responsabilidade no aumento dos índices de literacia em leitura. E esta leitura deve ser entendida como uma responsabilidade social e não só escolar, já que, começando nas primeiras idades e continuando ao longo da vida, nos leva ao conhecimento, este entendido como a base de uma sociedade mais qualificada e livre.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2020
I – Literacias
As políticas públicas do livro e da leitura devem formar parte integral das políticas do Estado e ser inseridas numa aceção mais alargada a que se poderá dar o nome de litaracias.
Essas políticas, para além de se basearem em leis e normas jurídicas, devem ser suportadas por mecanismos de financiamento e por estruturas organizacionais que permitam articular os distintos níveis do poder do Estado. Esta articulação, iniciada no cruzamento das diferentes missões de vários organismos do poder central que contribuam para o mesmo fim, e estendida depois ao poder local, deverá posteriormente receber os contributos das estruturas da sociedade civil. Só assim se poderão conceber literacias de ordem vária que permitam a educação e a formação ao longo da vida dos cidadãos, facultando ao mesmo tempo a inclusão social e o desenvolvimento de uma cidadania plena.
Segundo a OCDE, falamos de literacias quando falamos da aptidão de compreender e utilizar a informação de modo seletivo e crítico. Ao comprometer-se com o desenvolvimento e aumento dos índices das várias literacias, o Estado mais não faz do que reconhecer aos seus cidadãos a participação, a equidade e a inclusão, oferecendo-lhes diversidade cultural e criatividade ao longo da vida. Este cidadão pleno terá, assim, direito a adquirir e exercer uma cidadania plena, e a usufruir e participar numa ambiência democrática. Incorporados e cultivados estes comportamentos, poderá então o conjunto dos cidadãos contribuir para o desenvolvimento social, económico, científico e tecnológico do país, recebendo em troca a melhoria de vida que todos desejam.
II – Políticas
Ao falar-se de literacia como uma capacidade que está ao alcance de todos os seres humanos, deveria falar-se de uma política de proteção e promoção
da diversidade de expressões culturais. Aqui, as políticas culturais envolveriam artistas, criadores, profissionais e outros agentes, independentemente da especificidade da sua vertente criadora. Para os cidadãos em geral, falar de diversidade cultural só traria benefícios, já que poderiam desfrutar de uma gama alargada de bens e serviços.
E é aqui que a cultura se cruza com os modelos económicos. A informação, a tecnologia e a aprendizagem são centrais para o crescimento da economia e para a prosperidade da sociedade atual. O modelo económico industrial, baseado nos serviços, está a mudar para um novo tipo de economia em que o conhecimento e a criatividade levam ao conhecimento produtivo e económico.
Neste contexto de mudança social, a que se juntam os desafios da cultura digital, como devem agir os organismos públicos? Esta questão constitui o eixo central de um trabalho publicado pelo Instituto ASPEN, financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates. São ali destacados três eixos importantes que devem orientar os organismos públicos, sejam eles estruturas centrais voltadas para os leitores e consumidores de cultura, bibliotecas públicas ou escolas. O trabalho destas organizações pode ser sintetizado no seguinte: conectar as pessoas e fortalecer as relações e o capital humano das comunidades; utilizar os espaços físicos e virtuais de bibliotecas (aqui poderiam ser museus, monumentos ou outros espaços de fruição cultural) de forma inovadora, e recorrer a plataformas interativas para selecionar e partilhar ideias e conhecimento.
III – Livro
Ao falarmos de literacias, poder-se-ia referir a literacia emergente, a literacia crítica, a literacia visual, a literacia em leitura e em escrita, a literacia digital, a literacia científica, a literacia literária e a literacia matemática (ou numeracia).
No entanto, é a literacia em leitura e escrita aquela que mais interesse tem tido nas políticas internacionais, designadamente junto da OCDE, já que é ela a base do domínio do conhecimento.
É por isso que as políticas do Livro e da Leitura são essenciais para o desenvolvimento de uma literacia plena, compreendida aqui como a aptidão para apreender e compreender a informação escrita na vida corrente, com vista à conquista dos objetivos pessoais, que passam pelo alargamento dos conhecimentos e das capacidades de cada um.
O Livro, esse grande motor de desenvolvimento, é a base da literacia. Se o livro no seu suporte comum não mudou nos últimos 500 anos, já as técnicas do seu fabrico, as estratégias da sua comercialização mudaram muito. E a leitura foi acompanhando esse movimento de suportes, essa passagem para o digital. Editor, tipografia, distribuidor, livraria e biblioteca são modelos que mudaram também, criando uma rede de intervenientes poderosos chamados a participar nessa globalização que o livro pressupõe. Dois elementos da cadeia permanecem, independentemente dos suportes e ferramentas: autor e leitor. Entre eles, a figura do mediador ganhou corpo e afirma a sua importância e necessidade: levar o livro ao leitor, a criação à leitura, transformando alfabetização em literacia.
A figura do Mediador:
A partir do século XVIII, quando se entendeu que a educação era necessária, reivindicando-se para todas as crianças do mundo a igualdade de oportunidades, verificou-se que esse objetivo – ainda hoje não atingido – tinha na sua base a figura do Mediador capacitado e com recursos suficientes para intervir com eficácia.
Na criação de hábitos de leitura, sobretudo na infância e na adolescência, é muito importante a figura do mediador, que age como intermediário entre o livro e o leitor. É ele que “recebe” a informação leitora e facilita ideias e caminhos para concretizar as leituras junto do público-alvo.
O problema principal é justamente a formação dos futuros mediadores: professores e bibliotecários serão talvez os mais importantes, aqueles que de mais perto lidam com os futuros leitores. No que se refere aos bibliotecários, a sua formação académica na área da catalogação, indexação, documentação ou organização da biblioteca, deixa de fora uma intervenção no processo da leitura, na análise de textos ou na seleção de um cânone de leituras para crianças e jovens.
O mediador de leitura deve ser formado ao longo de um processo demorado, organizado e coerente, reunindo conhecimentos gerais e específicos, competências profissionais, espírito crítico, capacidade de comunicação, criatividade, etc.
Estas poderiam ser algumas regras para definir um mediador:
- ser um leitor habitual, convencido do valor e virtude da leitura;
- conhecer o grupo para conseguir promover a sua participação;
- uma certa dose de imaginação e criatividade;
- possuir uma formação literária mínima;
- saber criar um projeto de leitura;
- conhecer a teoria e a prática de técnicas e estratégias de animação à leitura.
O mediador será, assim, alguém que fomentará as primeiras tendências de leitura junto dos potenciais leitores, consolidando-as com as estratégias mais adequadas em cada momento.
O Estado deve assumir a competência de capacitar os mediadores de leitura, formando-os adequadamente e proporcionando-lhes os meios necessários para cumprir dignamente a sua responsabilidade no aumento dos índices de literacia em leitura. E esta leitura deve ser entendida como uma responsabilidade social e não só escolar, já que, começando nas primeiras idades e continuando ao longo da vida, nos leva ao conhecimento, este entendido como a base de uma sociedade mais qualificada e livre.
As políticas públicas do livro e da leitura devem formar parte integral das políticas do Estado e ser inseridas numa aceção mais alargada a que se poderá dar o nome de litaracias.
Essas políticas, para além de se basearem em leis e normas jurídicas, devem ser suportadas por mecanismos de financiamento e por estruturas organizacionais que permitam articular os distintos níveis do poder do Estado. Esta articulação, iniciada no cruzamento das diferentes missões de vários organismos do poder central que contribuam para o mesmo fim, e estendida depois ao poder local, deverá posteriormente receber os contributos das estruturas da sociedade civil. Só assim se poderão conceber literacias de ordem vária que permitam a educação e a formação ao longo da vida dos cidadãos, facultando ao mesmo tempo a inclusão social e o desenvolvimento de uma cidadania plena.
Segundo a OCDE, falamos de literacias quando falamos da aptidão de compreender e utilizar a informação de modo seletivo e crítico. Ao comprometer-se com o desenvolvimento e aumento dos índices das várias literacias, o Estado mais não faz do que reconhecer aos seus cidadãos a participação, a equidade e a inclusão, oferecendo-lhes diversidade cultural e criatividade ao longo da vida. Este cidadão pleno terá, assim, direito a adquirir e exercer uma cidadania plena, e a usufruir e participar numa ambiência democrática. Incorporados e cultivados estes comportamentos, poderá então o conjunto dos cidadãos contribuir para o desenvolvimento social, económico, científico e tecnológico do país, recebendo em troca a melhoria de vida que todos desejam.
II – Políticas
Ao falar-se de literacia como uma capacidade que está ao alcance de todos os seres humanos, deveria falar-se de uma política de proteção e promoção
da diversidade de expressões culturais. Aqui, as políticas culturais envolveriam artistas, criadores, profissionais e outros agentes, independentemente da especificidade da sua vertente criadora. Para os cidadãos em geral, falar de diversidade cultural só traria benefícios, já que poderiam desfrutar de uma gama alargada de bens e serviços.
E é aqui que a cultura se cruza com os modelos económicos. A informação, a tecnologia e a aprendizagem são centrais para o crescimento da economia e para a prosperidade da sociedade atual. O modelo económico industrial, baseado nos serviços, está a mudar para um novo tipo de economia em que o conhecimento e a criatividade levam ao conhecimento produtivo e económico.
Neste contexto de mudança social, a que se juntam os desafios da cultura digital, como devem agir os organismos públicos? Esta questão constitui o eixo central de um trabalho publicado pelo Instituto ASPEN, financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates. São ali destacados três eixos importantes que devem orientar os organismos públicos, sejam eles estruturas centrais voltadas para os leitores e consumidores de cultura, bibliotecas públicas ou escolas. O trabalho destas organizações pode ser sintetizado no seguinte: conectar as pessoas e fortalecer as relações e o capital humano das comunidades; utilizar os espaços físicos e virtuais de bibliotecas (aqui poderiam ser museus, monumentos ou outros espaços de fruição cultural) de forma inovadora, e recorrer a plataformas interativas para selecionar e partilhar ideias e conhecimento.
III – Livro
Ao falarmos de literacias, poder-se-ia referir a literacia emergente, a literacia crítica, a literacia visual, a literacia em leitura e em escrita, a literacia digital, a literacia científica, a literacia literária e a literacia matemática (ou numeracia).
No entanto, é a literacia em leitura e escrita aquela que mais interesse tem tido nas políticas internacionais, designadamente junto da OCDE, já que é ela a base do domínio do conhecimento.
É por isso que as políticas do Livro e da Leitura são essenciais para o desenvolvimento de uma literacia plena, compreendida aqui como a aptidão para apreender e compreender a informação escrita na vida corrente, com vista à conquista dos objetivos pessoais, que passam pelo alargamento dos conhecimentos e das capacidades de cada um.
O Livro, esse grande motor de desenvolvimento, é a base da literacia. Se o livro no seu suporte comum não mudou nos últimos 500 anos, já as técnicas do seu fabrico, as estratégias da sua comercialização mudaram muito. E a leitura foi acompanhando esse movimento de suportes, essa passagem para o digital. Editor, tipografia, distribuidor, livraria e biblioteca são modelos que mudaram também, criando uma rede de intervenientes poderosos chamados a participar nessa globalização que o livro pressupõe. Dois elementos da cadeia permanecem, independentemente dos suportes e ferramentas: autor e leitor. Entre eles, a figura do mediador ganhou corpo e afirma a sua importância e necessidade: levar o livro ao leitor, a criação à leitura, transformando alfabetização em literacia.
A figura do Mediador:
A partir do século XVIII, quando se entendeu que a educação era necessária, reivindicando-se para todas as crianças do mundo a igualdade de oportunidades, verificou-se que esse objetivo – ainda hoje não atingido – tinha na sua base a figura do Mediador capacitado e com recursos suficientes para intervir com eficácia.
Na criação de hábitos de leitura, sobretudo na infância e na adolescência, é muito importante a figura do mediador, que age como intermediário entre o livro e o leitor. É ele que “recebe” a informação leitora e facilita ideias e caminhos para concretizar as leituras junto do público-alvo.
O problema principal é justamente a formação dos futuros mediadores: professores e bibliotecários serão talvez os mais importantes, aqueles que de mais perto lidam com os futuros leitores. No que se refere aos bibliotecários, a sua formação académica na área da catalogação, indexação, documentação ou organização da biblioteca, deixa de fora uma intervenção no processo da leitura, na análise de textos ou na seleção de um cânone de leituras para crianças e jovens.
O mediador de leitura deve ser formado ao longo de um processo demorado, organizado e coerente, reunindo conhecimentos gerais e específicos, competências profissionais, espírito crítico, capacidade de comunicação, criatividade, etc.
Estas poderiam ser algumas regras para definir um mediador:
- ser um leitor habitual, convencido do valor e virtude da leitura;
- conhecer o grupo para conseguir promover a sua participação;
- uma certa dose de imaginação e criatividade;
- possuir uma formação literária mínima;
- saber criar um projeto de leitura;
- conhecer a teoria e a prática de técnicas e estratégias de animação à leitura.
O mediador será, assim, alguém que fomentará as primeiras tendências de leitura junto dos potenciais leitores, consolidando-as com as estratégias mais adequadas em cada momento.
O Estado deve assumir a competência de capacitar os mediadores de leitura, formando-os adequadamente e proporcionando-lhes os meios necessários para cumprir dignamente a sua responsabilidade no aumento dos índices de literacia em leitura. E esta leitura deve ser entendida como uma responsabilidade social e não só escolar, já que, começando nas primeiras idades e continuando ao longo da vida, nos leva ao conhecimento, este entendido como a base de uma sociedade mais qualificada e livre.
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