sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

I – Literacias As políticas públicas do livro e da leitura devem formar parte integral das políticas do Estado e ser inseridas numa aceção mais alargada a que se poderá dar o nome de litaracias. Essas políticas, para além de se basearem em leis e normas jurídicas, devem ser suportadas por mecanismos de financiamento e por estruturas organizacionais que permitam articular os distintos níveis do poder do Estado. Esta articulação, iniciada no cruzamento das diferentes missões de vários organismos do poder central que contribuam para o mesmo fim, e estendida depois ao poder local, deverá posteriormente receber os contributos das estruturas da sociedade civil. Só assim se poderão conceber literacias de ordem vária que permitam a educação e a formação ao longo da vida dos cidadãos, facultando ao mesmo tempo a inclusão social e o desenvolvimento de uma cidadania plena. Segundo a OCDE, falamos de literacias quando falamos da aptidão de compreender e utilizar a informação de modo seletivo e crítico. Ao comprometer-se com o desenvolvimento e aumento dos índices das várias literacias, o Estado mais não faz do que reconhecer aos seus cidadãos a participação, a equidade e a inclusão, oferecendo-lhes diversidade cultural e criatividade ao longo da vida. Este cidadão pleno terá, assim, direito a adquirir e exercer uma cidadania plena, e a usufruir e participar numa ambiência democrática. Incorporados e cultivados estes comportamentos, poderá então o conjunto dos cidadãos contribuir para o desenvolvimento social, económico, científico e tecnológico do país, recebendo em troca a melhoria de vida que todos desejam. II – Políticas Ao falar-se de literacia como uma capacidade que está ao alcance de todos os seres humanos, deveria falar-se de uma política de proteção e promoção da diversidade de expressões culturais. Aqui, as políticas culturais envolveriam artistas, criadores, profissionais e outros agentes, independentemente da especificidade da sua vertente criadora. Para os cidadãos em geral, falar de diversidade cultural só traria benefícios, já que poderiam desfrutar de uma gama alargada de bens e serviços. E é aqui que a cultura se cruza com os modelos económicos. A informação, a tecnologia e a aprendizagem são centrais para o crescimento da economia e para a prosperidade da sociedade atual. O modelo económico industrial, baseado nos serviços, está a mudar para um novo tipo de economia em que o conhecimento e a criatividade levam ao conhecimento produtivo e económico. Neste contexto de mudança social, a que se juntam os desafios da cultura digital, como devem agir os organismos públicos? Esta questão constitui o eixo central de um trabalho publicado pelo Instituto ASPEN, financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates. São ali destacados três eixos importantes que devem orientar os organismos públicos, sejam eles estruturas centrais voltadas para os leitores e consumidores de cultura, bibliotecas públicas ou escolas. O trabalho destas organizações pode ser sintetizado no seguinte: conectar as pessoas e fortalecer as relações e o capital humano das comunidades; utilizar os espaços físicos e virtuais de bibliotecas (aqui poderiam ser museus, monumentos ou outros espaços de fruição cultural) de forma inovadora, e recorrer a plataformas interativas para selecionar e partilhar ideias e conhecimento. III – Livro Ao falarmos de literacias, poder-se-ia referir a literacia emergente, a literacia crítica, a literacia visual, a literacia em leitura e em escrita, a literacia digital, a literacia científica, a literacia literária e a literacia matemática (ou numeracia). No entanto, é a literacia em leitura e escrita aquela que mais interesse tem tido nas políticas internacionais, designadamente junto da OCDE, já que é ela a base do domínio do conhecimento. É por isso que as políticas do Livro e da Leitura são essenciais para o desenvolvimento de uma literacia plena, compreendida aqui como a aptidão para apreender e compreender a informação escrita na vida corrente, com vista à conquista dos objetivos pessoais, que passam pelo alargamento dos conhecimentos e das capacidades de cada um. O Livro, esse grande motor de desenvolvimento, é a base da literacia. Se o livro no seu suporte comum não mudou nos últimos 500 anos, já as técnicas do seu fabrico, as estratégias da sua comercialização mudaram muito. E a leitura foi acompanhando esse movimento de suportes, essa passagem para o digital. Editor, tipografia, distribuidor, livraria e biblioteca são modelos que mudaram também, criando uma rede de intervenientes poderosos chamados a participar nessa globalização que o livro pressupõe. Dois elementos da cadeia permanecem, independentemente dos suportes e ferramentas: autor e leitor. Entre eles, a figura do mediador ganhou corpo e afirma a sua importância e necessidade: levar o livro ao leitor, a criação à leitura, transformando alfabetização em literacia. A figura do Mediador: A partir do século XVIII, quando se entendeu que a educação era necessária, reivindicando-se para todas as crianças do mundo a igualdade de oportunidades, verificou-se que esse objetivo – ainda hoje não atingido – tinha na sua base a figura do Mediador capacitado e com recursos suficientes para intervir com eficácia. Na criação de hábitos de leitura, sobretudo na infância e na adolescência, é muito importante a figura do mediador, que age como intermediário entre o livro e o leitor. É ele que “recebe” a informação leitora e facilita ideias e caminhos para concretizar as leituras junto do público-alvo. O problema principal é justamente a formação dos futuros mediadores: professores e bibliotecários serão talvez os mais importantes, aqueles que de mais perto lidam com os futuros leitores. No que se refere aos bibliotecários, a sua formação académica na área da catalogação, indexação, documentação ou organização da biblioteca, deixa de fora uma intervenção no processo da leitura, na análise de textos ou na seleção de um cânone de leituras para crianças e jovens. O mediador de leitura deve ser formado ao longo de um processo demorado, organizado e coerente, reunindo conhecimentos gerais e específicos, competências profissionais, espírito crítico, capacidade de comunicação, criatividade, etc. Estas poderiam ser algumas regras para definir um mediador: - ser um leitor habitual, convencido do valor e virtude da leitura; - conhecer o grupo para conseguir promover a sua participação; - uma certa dose de imaginação e criatividade; - possuir uma formação literária mínima; - saber criar um projeto de leitura; - conhecer a teoria e a prática de técnicas e estratégias de animação à leitura. O mediador será, assim, alguém que fomentará as primeiras tendências de leitura junto dos potenciais leitores, consolidando-as com as estratégias mais adequadas em cada momento. O Estado deve assumir a competência de capacitar os mediadores de leitura, formando-os adequadamente e proporcionando-lhes os meios necessários para cumprir dignamente a sua responsabilidade no aumento dos índices de literacia em leitura. E esta leitura deve ser entendida como uma responsabilidade social e não só escolar, já que, começando nas primeiras idades e continuando ao longo da vida, nos leva ao conhecimento, este entendido como a base de uma sociedade mais qualificada e livre.

Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Leitura na Europa

Nos dias 21, 22 e 23 de Abril de 2004, participei na Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Leitura na Europa , que decorreu na cidade de Mainz, a 30 quilómetros de Frankfurt. Durante três dias, 20 países da Europa — Alemanha, Espanha, França, Portugal, Estónia, Eslováquia, República Checa, Bélgica, Holanda, Inglaterra, Letónia, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Itália, Suíça, Polónia, Áustria e Hungria — debateram a promoção da leitura junto de crianças e jovens, apresentando experiências concretas já realizadas e analisando em conjunto as principais questões que se levantam à volta do tema. Além dos convidados, cerca de 300 pessoas, entre as quais educadores, professores dos vários graus de ensino e bibliotecários, assistiram à conferência e intervieram sempre que quiseram, questionando os conferencistas ou apresentando as suas próprias experiências e preocupações nesta área. O problema comum a todos tinha como base os resultados do relatório PISA apresentado pela OCDE em finais de 2003 e disponibilizado em língua alemã em Fevereiro de 2004 (www.pisa.oecd.org). Os relatórios PISA sobre a aprendizagem escolar e sobre algumas das matérias curriculares, onde se inclui a leitura, são hoje uma preocupação comum a todos os países industrializados. Andamos a ensinar as crianças a ler, promovemos a leitura junto delas, lemos-lhes livros, contamos-lhes histórias, mas estarão os jovens preparados para enfrentar o futuro? Estarão efectivamente prontos para analisar, raciocinar e comunicar as suas ideias? Terão a capacidade de continuar a aprender durante toda a vida? São estas as questões levantadas por aqueles que se dedicam à educação das crianças e dos jovens de hoje. Os relatórios PISA (2000, 2003 e 2006) procuram responder a algumas questões sobre a aquisição de competências nos jovens de 15 anos dos principais países industrializados. As questões levantadas no congresso de Mainz preocupam pais, educadores, professores, bibliotecários, animadores da leitura. Como facultar às crianças e jovens o gosto pela leitura? Quando é que esse gosto deve ser promovido e incentivado, sabendo-se hoje que é através do gosto pela leitura que se adquirem competências que farão dessas crianças e jovens, cidadãos socialmente mais integrados e culturalmente mais ricos? • Em diferentes etapas da vida, crianças, adolescentes e adultos estão abertos a diferentes tipos de promoção da leitura. Como aproveitar essa abertura? Que tipo de medidas serão apropriadas e apresentarão melhores resultados nessas diferentes etapas da vida? • Qual a importância da leitura nos vários graus de ensino? O que devem ler os alunos em cada grau de ensino? Quais as medidas de promoção da leitura preferidas pelos professores e quais são aquelas que sabemos melhor resultarem? • Qual a importância da literatura para crianças e jovens nos vários graus de ensino? Será que os manuais escolares e as obras adoptadas para leitura obrigatória no 3º ciclo e secundário promovem a leitura? Estarão adaptados aos interesses das crianças e jovens? E qual o papel do livro literário, do escritor e do ilustrador? Qual a relação entre os jovens e os seus autores preferidos? • Ou ainda: como fazer com que mais rapazes leiam, já que eles são uma minoria, se comparados com as raparigas? Deverão existir, de facto, manuais de língua materna diferentes para rapazes e raparigas? Um dos caminhos a seguir para que a promoção da leitura seja efectivamente uma realidade, unanimemente aceite no congresso de Mainz, é a articulação entre Ministério da Cultura e Ministério da Educação, ou, mais especificamente, entre bibliotecas públicas e escolas, preferencialmente através das bibliotecas escolares. Tal não significa que escola e biblioteca percam as suas características próprias. É na definição das suas especificidades que a leitura pode encontrar os seus lugares privilegiados. Crianças e adolescentes devem ser envolvidos num programa nacional de leitura, que tem de partir do estado através de campanhas nacionais, mas que necessita de encontrar eco em múltiplas campanhas locais espalhadas pelo país. Para que a articulação entre escola e biblioteca resulte, ela deve ser acompanhada pelas famílias, através da sensibilização para a importância do livro junto dos pais. Não sejamos utópicos, nós portugueses, a ponto de imaginarmos que daqui a dez anos haverá, em todas as nossas casas, pelo menos uma prateleira de livros. Mas podemos ser ambiciosos a ponto de concebermos campanhas de sensibilização junto das famílias, a partir das escolas e das bibliotecas, para o papel da leitura na formação das crianças e jovens. Todos estamos de acordo no papel da escola como promotor da leitura. Todos estamos de acordo na importância do acompanhamento dessa leitura pelas famílias. Todos estamos de acordo que escolas e famílias devem facultar às crianças e jovens o acesso à biblioteca e o incentivo para a sua utilização desde a mais tenra idade. No congresso de Mainz, todos foram unânimes em considerar fundamental o papel da leitura no espaço da sala de aula. Não basta que o professor ensine a ler. Nem sequer basta que ensine a ler bem. Um aluno que leia muito bem pode nunca vir a tornar-se leitor. A competência linguística está lá. A competência leitora pode não estar. No congresso de Mainz, todos foram unânimes em considerar que os programas de língua dos diferentes ciclos, nos diferentes países, não promovem a leitura, não criam dentro dos curricula o espaço da leitura, o momento da leitura, a hora da leitura ou o que quisermos chamar-lhe. A leitura como prazer, a leitura de uma história completa, a leitura em voz alta deve ser oferecida às crianças e aos jovens, de modo a que aquele conto, aquela história de fadas, aquele livro possa ser desfrutado em pleno, sem que em seguida tenha de ser analisado morfologicamente, sintacticamente, interpretado, recontado, resumido, torturado. O momento da leitura tem de ser um prazer, não uma obrigação. Foi esta a expressão mais ouvida no congresso de Mainz: “the joy of reading”. Devemos ainda considerar a biblioteca como local de articulação entre escola e família. A criança vai à escola. O pai já não vai. Mas criança e pai podem ir à biblioteca da sua zona de residência. Ela desempenha hoje um papel fundamental na formação de uma comunidade leitora. Está dito e re-dito que as crianças que crescem num ambiente propício à leitura têm mais possibilidade de se tornarem leitores para toda a vida. As bibliotecas são esse espaço cheio de livros. Mas os livros, por si só, podem não ser suficientes. Não basta uma série de estantes cheias de lombadas à vista e ao dispor dos seus eventuais leitores. Não basta que a criança saiba que os livros estão ali. Ela precisa de encontrar uma porta que lhe permita entrar no seu interior. Desta forma, uma biblioteca que queira formar desde cedo jovens leitores tem de conceber um programa de promoção da leitura consistente, para que crianças, jovens, mas também leitores já constituídos, possam aperceber-se da potencialidade que os livros e a leitura têm no desenvolvimento das suas capacidades imaginativas. Perante um mundo de livros que é uma biblioteca, os leitores devem ser orientados nas suas leituras, para que não se percam naquele mundo que, pelas suas características de diversidade, lhes impõe já algum temor. No site da DGLB, estão agrupados uma série de links para os endereços electrónicos de instituições e organizações que estiveram presentes em Mainz. Nesses endereços, podem ser encontrados projectos de promoção da leitura variados e destinados a diferentes idades. Alguns projectos são promovidos por instituições governamentais, mas muitos outros são realizados por organizações particulares. Um destaque para 3 ou 4 desses projectos: THE GOOD STORY FESTIVAL: trata-se de um Festival que decorre na Dinamarca e que pretende estimular o prazer da leitura em crianças e jovens dos 0 aos 16 anos. O tema do Festival é o livro e o conto oral e desenrola-se em toda a Dinamarca, a nível local e nacional. Durante duas semanas, livreiros, professores, bibliotecários, autores e contadores de histórias lêem histórias e aconselham às crianças e jovens uma série de títulos sobre o tema. O próximo Festival ocorrerá em 2005 e terá como tema “a história fantástica”. READING IS FUN é um projecto da Estónia feito para a Internet e permite que os jovens seleccionem uma série de livros que discutirão depois através da Internet. Reading Nest (O ninho da leitura) é outro projecto destinado aos mais novos. Nos infantários e nas salas de aula são criados “cantinhos da leitura” onde as crianças se sentam a ler, ao mesmo tempo que os professores desenvolvem uma série de actividades paralelas. BOOKTRUST é uma organização inglesa, sediada em Londres, que desenvolve um programa intitulado Bookstart, muito conhecido em Inglaterra e o único do género existente em todo o mundo. Cada criança que nasce recebe um saco de livros para bebés, acompanhado de guias orientadores da leitura, o que permitirá aos pais acompanharem de perto as leituras sugeridas. Il Giralibro é um projecto italiano que envolve cerca de 2500 escolas do 2º e 3º ciclos. Trata-se de oferecer gratuitamente às escolas colecções de livros seleccionados. Até à data, foram já oferecidos 500.000 livros, lidos por dois milhões de alunos. Il Giralibro ganhou, em 2003, o Prémio Andersen para o melhor projecto de promoção da leitura. Presente em Mainz esteve ainda a Fundação Germán Sánchez Ruipérez, de Espanha. O Centro do Livro Infantil e Juvenil de Salamanca, num edifício de 6 andares, é totalmente dirigido à promoção da leitura para crianças entre os nove meses e os 18 anos. Conscientes de que os hábitos de leitura começam a ser adquiridos desde que o bebé adquire a capacidade de segurar num objecto, os responsáveis pela Fundação projectaram um serviço de leitura constituído por diversas salas, de acordo com as idades, onde as crianças podem ler, ouvir ler, ouvir contar histórias, jogar com objectos e palavras, estudar, ver vídeos, ouvir discos, ou requisitar material para casa. A partir das cinco da tarde, as salas da Fundação enchem-se do colorido de crianças de todas as idades, que por ali permanecem, sozinhas ou com os pais, até às oito horas. O Centro de Documentação propriamente dito tem um excelente arquivo sobre promoção da leitura, prestando a Fundação, além da divulgação de bibliografia na página da Net, um serviço de envio de informação por e-mail a quem o solicitar. Já no pólo de Madrid, o serviço de orientação à leitura on-line tem uma equipa que actualiza quinzenalmente esse SOL, indicando novidades editoriais, numa página magnífica. Vem sendo habitual nos colóquios e congressos o não encontro de soluções imediatas para os problemas levantados. As conclusões são o apanhado das próprias questões formuladas. Foi isso que aconteceu na conferência de Mainz. As questões mais pertinentes indicam o caminho a seguir: a conjugação de todos os organismos e entidades num Plano Nacional de Leitura, plano esse que possa funcionar através de uma rede nacional de promotores de leitura, onde se incluam bibliotecas municipais e escolares. A articulação entre Ministério da Cultura e Ministério da Educação é a chave desse plano. A formação de mediadores que ponham o plano em funcionamento será essencial para um bom resultado. Como tem funcionado essa articulação em Portugal? Na altura, o então Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, organismo do Ministério da Cultura responsável pelo sector do Livro, concebeu um novo programa de Itinerâncias Culturais em 2004, que pretende dar um novo contributo para uma política de criação de novos públicos leitores. Esta política substantiva-se no privilégio de acções dirigidas directamente ao público infanto-juvenil e de acções dirigidas aos mediadores da leitura que, quotidianamente, estão em contacto com este público-alvo. Consciente da escassez de formadores na área das técnicas de indução à leitura, o então IPLB promoveu acções de formação nesta área, que correspondem às necessidades estratégicas do terreno. Ao enviar o conjunto das acções, pediu-se que a biblioteca tivesse em vista um objectivo e que escolhesse as acções que melhor contribuíssem para o seu êxito. Ou seja, pede-se que cada biblioteca analise a priori o público-leitor potencial, articulando-o com o universo estudantil da região. O IPLB propôs, assim, ao bibliotecário que apostasse também nessa formação de formadores, para que uma verdadeira teia possa vir a ser criada entre biblioteca, escola e família. Da articulação das várias teias espalhadas por todo o país poderemos vir a pensar, no futuro, numa verdadeira rede de promotores da leitura: bibliotecários, animadores de bibliotecas, professores, pais, pessoas que recebam o testemunho e estejam aptos a transmiti-lo. Considerando que a comunidade escolar desempenha aqui um papel fundamental, conjuntamente com os bibliotecários e técnicos de bibliotecas, pela primeira vez — e de um modo articulado — o IPLB colaborou com a Rede de Bibliotecas Escolares, visando a implementação de projectos de animação continuada à leitura que se afastem da leitura escolarizada para que possam surgir verdadeiros leitores para o futuro. Esses projectos, ainda em número restrito (Matosinhos, Seixal, Mangualde/Viseu/Nelas e Beja/Mértola/Castro Verde), serão progressivamente alargados a mais pólos concelhios, de forma a tornar a tal rede de promotores da leitura mais sólida, mais incisiva e mais estruturada. Maria Carlos Loureiro - 2004

La letteratura portoghese all’estero

Le politiche che permettono un maggiore accesso ai libri e alla lettura sono fondamentali per la costruzione della piena cittadinanza di un paese. In un recente dossier sull’Human Development Index, le Nazioni Unite hanno incluso l'accesso a beni, servizi e strutture culturali come componente di aumento dell'indice, mettendo la cultura allo stesso livello dell’educazione, della sanità e di altre questioni di importanza vitale. La cultura è diventata un obiettivo prioritario dei governi, capace di stabilire il grado di sviluppo economico e sociale di un paese. Si crede oggi che l'accesso ai libri e alla lettura migliora significativamente le condizioni di vita delle popolazioni. Le politiche pubbliche devono garantire l’aumento del numero dei lettori e migliorare la capacità di lettura e la critica costruttiva di ciò che è letto. Tutto questo significa che i governi devono definire strategie che consentono alla popolazione l'accesso al libro. Così s’influenza positivamente l'industria del libro, perché la creazione di lettori si riflette in una maggiore offerta editoriale. La politica del libro è un compito dello Stato e non può essere elaborata senza la collaborazione dei vari segmenti della società. Libri e lettura fanno allora parte dello sviluppo sia sociale, sia economico. Nel caso portoghese, abbiamo ancora gravi problemi che devono essere superati. Uno studio recente, “La lettura in Portogallo”, ha indicato un aumento delle abitudini di lettura dei portoghesi. Tuttavia, i giovani di 15 anni hanno ancora un basso livello di performance nel contesto di capacità di lettura, secondo l'ultimo dossier del PISA, (OCSE). Per questa ragione, i governi portoghesi progettano, da 20 anni, dei programmi articolati e centralizzati per stimolare la lettura e per rendere democratico l’accesso al libro. La prima cosa è stata la creazione di una rete di biblioteche pubbliche, attraverso la costruzione di una biblioteca in ogni municipio. In seguito, si è sviluppato un programma nazionale di lettura nelle biblioteche e nelle scuole. Autori, editori, librai, lettori e mediatori culturali sono elementi di una catena immensa. Il Ministero della Cultura del Portogallo ha sostenuto, fino adesso, il settore del Libro nei suoi vari aspetti: la creazione – cioè l’autore, sostenuto da borse di creazione letteraria e dalla diffusione all’estero; l’edizione, attraverso dei programmi specifici per sostenere i libri con maggiore difficoltà commerciale; la lettura e la sua promozione è fatta nelle biblioteche, nelle carceri e negli ospedali, anche con un grande programma di formazione di mediatori. Per terminare, Vi presento un programma di sostegno per lo spazio internazionale, vale a dire, la traduzione e la circolazione degli autori portoghesi all’estero. Maria Carlos Loureiro Pisa, Pisa Book Festival, Outubro 2010

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Já tenho um site... Mas para que é que o quero?

Hoje criei um site no Google. Foi muito fácil. Perceber como mexer-lhe é que já não é tão fácil. Sei trabalhar com o site da DGLB, não lá muito bem, é certo, mas pelo menos consigo editar uma página e alterá-la. Dá muito jeito quando a notícia já passou e a colega responsável pela sua criação não está cá. Às vezes mudo os presentes para passados, os passados para futuros, acrescento uma vírgula (esta mania de continuar a exercer a profissão de professora de português...), altero um nome ou uma foto. Mas ali, no novo site só da minha responsabilidade, a coisa é mais difícil, parece. Criei uma página prinicipal, uma secundária, que só aparece quando clico na barra lateral esquerda. Pus uma foto, mas não consigo vê-la em modo de página web. Vejo-a sempre no modo de estrutura (pode dizer-se assim em relação a sites, ou estou a usar linguagem de access?): um documento anexo que tenho de abrir se o quiser ver.
Vamos com calma. Qualquer dia vão poder ver o Grande Site Primo deste Blogue "Livros e Tanto Mais".

Facebook vs Web 2.0?

Numa época em que tanta da atenção dos utilizadores da Web se encontra virada para o Facebook, será que faz sentido investir tempo e esforço na blogosfera e em outros serviços da web 2.0?
Foi esta a questão levantada no decorrer do curso sobre as ferramentas da web.

As posições sobre o avanço na gestão simplificada da informação/comunicação que o facebook oferece, mas ao mesmo tempo sobre os perigos que ele coloca no facilitismo dessa informação são hoje tratados em vários sectores. Julgo que, apesar de tudo, o facebook veio dominar a Web 2.0, ocupando grande parte do tempo disponível dos utilizadores das ferramentas web. Retirei alguns excertos que podem ilustrar exactamente isto.

"O presidente do Tribunal Constitucional da Alemanha considerou que utilizar o Facebook é uma «actividade de risco», devido à falta de protecção dos dados publicados no site pelos membros da rede social
A afirmação de Andreas Vosskuhle foi feita em declarações à edição alemã da revista Focus, onde defendeu que a falta de protecção dos dados dos utilizadores do Facebook, assim que estes publicam algo na rede social, o leva a considerar a utilização do site como «actividade de risco»"

"O Facebook possui uma óptimas ferramentas e aplicativos para promover qualquer tipo de empreendimento ou prestação de serviços de forma eficiente e prática, além de oferecer interação imediata com os seus clientes, seguidores ou fans. "http://assessoriablog.blogspot.com

"A MOD (Ministry of Defence) do Reino Unido lançou uma campanha com o objectivo de avisar a todo o seu pessoal e os seus familiares do perigo de partilhar demasiada informação online.
A campanha intitulada “Think before you…” visa fornecer, a quem está ao serviço da sua majestade, orientação nos métodos corretos para a utilização de social media sem que se ponham a jeito, evitando assim correr riscos desnecessários.
A iniciativa de comunicações internas é uma resposta a dados críticos revelados online inadvertidamente incluindo informação especifica sobre ataques, movimentos de algumas tropas e moradas de casa.
A campanha multicanal irá percorrer no Facebook e YouTube através de materiais para formação bem como publicações com informação relevante. Incluído na campanha estão também meios tradicionais tal como a British Forces Broadcasting Service e a Garrison Radio.
O ano passado, dez membros da MOD foram disciplinados após terem revelado informação confidencial em vários sites de social media."

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Twitter - uma experiência inesquecível

Acreditam que o José Afonso Furtado tem 9.138 seguidores e segue 3.172 pessoas/entidades no Twitter??? E tem 801 listas, 59.495 tweets...
Quando conheci o Zé Afonso, há 20 e tal anos atrás, ele nem carta tinha! Querido Zé Afonso, por alguma razão recebeste um prémio de famous "twittor". Vejo sempre o que colocas no facebook a partir do twitter: bons tweets sobre livros e leitura.
Viva as redes sociais! Viva!
http://twitter.com/#!/MCarlosLoureiro/following